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O cerco fechou: Anvisa e MPF vão atrás do vape. E não vai ser só conversa.

Tem pauta que não dá mais para empurrar com a barriga. A dos cigarros eletrônicos é uma delas. A gente normalizou uma fumaça “moderna”, com cheiro doce, embalagem bonita e promessa de “menos pior”. Só que, na prática, o vape virou uma porta de entrada rápida para a dependência, principalmente entre adolescentes, e um prato cheio para o comércio ilegal.

Por isso, quando se fala que 2026 deve marcar uma virada na fiscalização, não é força de expressão. É tendência concreta. E ela vem sendo construída com dois motores ao mesmo tempo: ações locais que já começaram a funcionar e uma articulação nacional mais dura, mais jurídica e mais organizada.

Em outras palavras, 2026 não nasce do nada. Ele é consequência.

Espigão D’Oeste como retrato de um problema nacional

Espigão D’Oeste não é “um caso isolado”. É o retrato de um Brasil inteiro que viu o vape atravessar o portão da escola com uma facilidade assustadora. O público é bem definido: adolescentes e jovens, muitos ainda em idade escolar, atraídos por uma falsa sensação de segurança.

A narrativa que circula entre eles costuma ser sempre a mesma: “não é cigarro”, “é só vapor”, “não faz mal”. Só que por trás dessa aparência inofensiva existem riscos sérios, que não combinam com organismo em desenvolvimento:

  • Nicotina em alta concentração, com dependência rápida e forte.
  • Substâncias químicas tóxicas, que inflamam e agridem o sistema respiratório.
  • Impactos no cérebro, sobretudo em adolescentes, fase em que o corpo ainda está “construindo” controle emocional, memória e tomada de decisão.
  • Riscos cardiovasculares, como aumento de pressão arterial e sobrecarga do coração.
  • E ainda o agravante mais perverso: o vape ajuda a criar o hábito, e o hábito costuma pedir “mais” com o tempo.

Quem trabalha em escola, saúde, assistência ou segurança pública sabe: quando o consumo se instala cedo, o custo social vem depois e vem pesado.

2025 em Espigão D’Oeste: quando prevenção e repressão andam juntas

O que Espigão D’Oeste fez em 2025 foi importante por um motivo simples: mostrou que o enfrentamento não pode ser só discurso. Tem que ter diagnóstico, tem que ter educação, e tem que ter resposta policial quando vira comércio.

No primeiro semestre, um passo que muita cidade nem dá: acadêmicos de Direito da Estácio Fap realizaram uma pesquisa diagnóstica em escolas públicas. Isso muda tudo, porque sem dado, sem mapa, sem leitura do problema, qualquer ação vira achismo.

No segundo semestre, a engrenagem ganhou força com palestras e orientações dentro das escolas, unindo atores que raramente trabalham tão alinhados:

  • acadêmicos,
  • CREAS,
  • comunicação pública municipal,
  • residência em fisioterapia,
  • e até a Polícia Civil, que além de fiscalizar também foi para a linha de frente alertar sobre riscos e consequências legais.

E então veio o quarto trimestre, quando o discurso encontra a realidade: a Operação Vape, deflagrada pela Polícia Civil, com apreensão de centenas de dispositivos. O detalhe que mais incomoda é o mais revelador: houve registros de casos de alunos flagrados com vape dentro de escolas. Ou seja, não é “lá fora”. É no cotidiano, no intervalo, no banheiro, na mochila.

Esse é o tipo de informação que derruba qualquer tentativa de minimizar o tema.

A Escola Jean Piaget e o papel de quem não finge que não vê

Dentro desse cenário, a Escola Jean Piaget aparece como exemplo do que funciona: proatividade, firmeza e colaboração. Porque existe uma escolha silenciosa que muitas instituições fazem, e ela custa caro: fingir que não está acontecendo para “evitar desgaste”.


O problema é que o desgaste vem depois, e vem maior.

Quando uma escola assume postura ativa, ela manda um recado que vale mais do que cartaz: aqui tem regra, tem cuidado e tem consequência. E isso, para adolescente, pesa.

O reforço nacional: Anvisa e MPF entram no jogo com mais força

Enquanto municípios como Espigão D’Oeste construíam resposta em 2025, o país deu um passo importante rumo a 2026. No dia 5 de fevereiro, Anvisa e Ministério Público Federal (MPF) firmaram um acordo para intensificar a fiscalização e fortalecer o enfrentamento ao comércio ilegal de dispositivos eletrônicos para fumar.

O centro dessa atuação é garantir o cumprimento da RDC 855/2024, que proíbe fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil.

E aqui está o ponto que muda o jogo:

  • a Anvisa entra com a parte técnica e sanitária,
  • e o MPF entra com o peso jurídico, com capacidade de responsabilização, investigação e cobrança institucional.

Isso tende a aumentar o risco para quem vende, distribui e lucra com o ilegal. E, quando o risco sobe, o mercado sente.

2026: menos tolerância, mais ação, mais proteção

O que se desenha para 2026 é um cenário de cerco mais fechado. Não apenas por apreensões, mas pela soma de fatores:

  • a consciência de que o vape já virou um problema escolar e de saúde pública,
  • a experiência acumulada em 2025 por municípios que agiram,
  • e a articulação Anvisa–MPF, que dá base para uma fiscalização mais consistente.

A mensagem que precisa ficar, sem romantização, é direta: não existe “vape recreativo” para adolescente. Existe dependência sendo construída. Existe pulmão sendo exposto. Existe cérebro em fase crítica sendo alterado. E existe comércio ilegal se aproveitando dessa brecha.

Se 2025 foi o ano em que Espigão D’Oeste ajudou a acender a luz sobre o tamanho do problema, 2026 promete ser o ano em que essa luz vira holofote.

Por Edson S. Ullig – Acadêmico de Direito Estácio Fap



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